Não permitirei que os nossos corpos sejam encontrados em uma vala, qualquer. Violentados e humanamente desmoralizados por especialistas em moral. Não deixarei mais que sinta dor, nem por minha ausência. Engolirei meu medo e atravessarei a escuridão para te proteger. E se o perigo for eu, apagarei a luz. Deixarei o amor. Sem você, já não estarei em lugar algum. O céu que vejo daqui é o mesmo lá no japão, que garantias de que não verei este mesmo céu abaixo do chão? Conto várias vezes muitas, minhas histórias; você está em todas. Não que eu tenha escolhido. Só que é impossível não ser assim.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Sandice
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Devaneio
Estive em muitos lugares. Tenho andado severamente. Alguns destes não foram os melhores para mim. Más me disseram que a dor ajuda a crescer. Por vezes, me sinto maior; e não penso que pelas dores, mas movido em forças inevitáveis como uma reação química, impossível de não acontecer. Este considerável crescimento , veio em mim como um inchaço, ora dolorido, ora suportável. Minha busca foi sempre irrelevante. Nunca fez diferença em um só número. Parece até, já haver algo planejado. Uma medida exata, não sei se merecida, do quanto se vai progredir. Quando não evoluo paro. E honestamente, prefiro regredir à parar. Acho que por isso sigo, mesmo não sabendo ao certo para onde ir. Guiada apenas pela direção. O lado, a gente sabe de pequeno. Não sou angelical, mas nada tenho com o diabo. E quando estiver perdida seguirei os sons. Reconheco bons ventos. Vento este, que conversa com meus cabelos. Mergulharei nesta viajem. Nada é seguro, o que vou temer? Tudo, também sou; temerei a mim? Me permito, então. Que eu me carregue para dentro de tudo. Que tudo me carregue para dentro de mim. Quero aprender e ensinar. Receber e escoar. Aceitar e devolver. Eu vou seguindo o canto dos pássaros, quem sabe me dão carona. Em dias de muito sol seu brilho me cobre a visão, mas continuo sentindo o cheiro do mato, das flores até encontrar meu caminho. Se eu cair, o vento me levantará; e quando a lua surgir e o frio da noite contrastar com o calor do meu corpo mortal; estarei mais perto de casa. Quando sentir sua presença, enfim meu lar. Ao longe escutam meu riso, e juram que sou feliz. O cansaço me fez compassar o andar, já que a pressa não me levou longe, além da minha vontade. Não esquecendo os risos, estes que não me deixaram. Suponho já ter chorado um tanto demais.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Lacunas
Preciso de Alguém
Que me olhe nos olhos quando falo.
Que ouça as minhas tristezas e neuroses com paciência.
Preciso de alguém, que venha brigar ao meu lado sem precisar ser convocado;
alguém Amigo o suficiente para dizer-me as verdades que não quero ouvir, mesmo sabendo que posso odia-lo por isso.
alguém Amigo o suficiente para dizer-me as verdades que não quero ouvir, mesmo sabendo que posso odia-lo por isso.
Neste mundo de céticos, preciso de alguém que creia, nesta coisa misteriosa, desacreditada, quase impossivel de encontrar: A Amizade.
Que teime em ser leal, simples e justo, que não vá embora se algum dia eu perder o meu ouro e não for mais a sensação da festa.
Preciso de um Amigo que receba com gratidão o meu auxílio, a minha mão estendida.
Mesmo que isto seja pouco para as suas necessidades.
Preciso de um Amigo que também seja companheiro, nas farras e pescarias, nas guerras e alegrias, e que no meio da tempestade, grite em coro comigo:
"Nós ainda vamos rir muito disso tudo"
Não pude escolher aqueles que me trouxeram ao mundo, mas posso escolher o meu Amigo.
E nessa busca empenho a minha própria alma, pois com uma Amizade Verdadeira, a vida se torna mais simples, mais rica e mais bela...
(Charles Chaplin)
É curioso a falta que me faz. E longe, por tempo demais ao seu lado; me engano ao pensar que passo bem sem você. Eu nem te conheço e já preciso. Sabe, eu vivo a sentir falta de alguém, más quem ? Será que estar por vir? Não sei, só peço que não demore. Só em saber que vai chegar já consigo sentir outra falta e vazio, estes virão depois de você. É o que deixará. E sobrará espaços para muitos, que se apossarão e abandonarão ou serão expulsos e viverei roda da vida. Faltando sempre, sempre a faltar. Incompleta em mim.
"Eu era mudo e só na rocha de granito"
"Gosto de pessoas doces, gosto de situações claras - e por tudo isso ando cada vez mais só." Caio Fernando Abreu
Perdi a voz. Desaprendi conversar. Tudo estaria devidamente solucionado, diluído com uma simples conversa. Até meu engasgo. É a tal da glote fechada. Mas eu me liberto, como não? É preciso viver; assim, sobrevivendo eu vou. Tem sido tão difícil, que nem lágrimas tem rolado fáceis. Descem com tamanho esforço, que rezo forte para que não sequem afim de preserva-las; minha única fala. E como que atendendo ao meu pedido, a face perdura molhada e gotículas permanecem já no final do meu pescoço que aparenta sofrer em tentativas de engolir alguma coisa. Um grande mistério. Descobri melhores coisas a se fazer com palavras, não quero gastá-las, muito menos violentá-las e deixá-las em um lugar qualquer, com quaisquer um. Não mesmo. Quando escrevo elas me retornam uma essência, uma parte que preenche o vazio necessário em mim. Então as defendo e venero. Ratifico meu silêncio, na supervalorização do pensar, do sentir. É só o que tenho, o que sai de mim. Sei de gratidão. Não houve brechas. Nem precisaria. Mais espaço e o silêncio seria ainda maior. Se calei, foi diante enorme falta de merecimento a um grito sequer, palavras então, seriam demais.
Um pouco mais
Escorre um sangue negro dos olhos tristes, ingênuos de amendoas doce. Transparece uma clareza na mesma proporção de uma enorme falta de lucidez, por tanto sonhar. É passível; sob sua pele jovem, um perfume enigmático de amor. E seus pensamentos flutuam em conjunto com as nuvens, mais parece do tamanho do céu; com ídéias que não tem mais fim. Aprendeu a brincar, por tantas vezes foi brincadeira. Por muitas, sentiu-se parte do jogo de alguém. Há muito constatou seriedade, entretanto ao final, por traz de sua sombra e de um pensamento silencioso é o riso que ouvira; o mais sarcástico. Repetidos os caminhos, esmagou todas as pedras, tal como manadas. Sem suspeitar que deixava-o trafegável, para mais adiante. Ainda quebra pedras. Pobre menina. Indagada sobre sua vida, diz ser carvo sem cor. Filho sem amor. Todavia, flor inofensiva; os espinhos já todos cravados em si. No entanto, uma vez na boca, seu sabor amarga tal como féu. Não oferece riscos, exceto aos abusos. A dor nada tem haver com mel. Sua possível agressividade é dada na intolerância com algumas coisas estabelecidas. Já que não se enquadra. Nesse mundo de tantos, de tudo; moldura certa, não houve que lhe coubesse. Desistiu do homogênio. Decidiu, que não é, apenas faz parte. Pedaço do que muda todo dia em seu espelho, e em poucos, que conseguiram enxergar. Metamorfose de sentidos. Muito além de pêlos, cabelo, umbigo. Uma vida prestes a inexistir. Um registro de que esta vida aconteceu. A irrefutável prova do gosto e gesto ímpar, singular; do individual. Por que só ela sabe o sabor do que acredita ser maça, e não é o seu.
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